Mãe África
Tu és de África
Berço do mundo
Nômade
em tua morada
na terra que há de lhe dar
o que comer.
Artefatos do tesouro
Relíquias de carbono
Campos arqueológicos
Sítios de outono
Barganhas e escravidão.
Desceste das árvores
Houve guerras
Há de haver guerras
Haverá guerras
Há guerras.
Por estes tempos
Perde-se o verbo
Presenteia-se o passado
E o temporal
Prende-se veloz
Voraz
No vértice
No ventre
De teu seio
Nosso seio
Nutrido de raízes
Atônita ferocidade
Eterna
Caverna
Luz!
Luz!
Apegue-a
Luz
Apague-se
Há luz
Apague
A chama
Chamar
Clamar
Pelo teu cantar
Flechas
Atire-as
Flechas
Atire-as
Pedras
Pedregulhos
Entulhos
Fugir
Da cultura material
A vida flui
Organize os trópicos
Sem abacaxis
Sem os pingos nos is
O xis não
Não é a questão
Então!
Quem são eles?
Quem eles pensam que são?
Eles sabem quem são?
Samba-canção
Nasceu
Quem?
A canção?
Não!
Uma estrela
Chamada Terra
A qual
Um dia já era
Haja eras
perdida
tamanha admiração
virou explosão
big bang
cogumelos
e rosas sem tons
às avessas
sem rima
bum
atchim
poluição
sem som
a paz eterna
reinaria.
Quanto vale uma onça
Sem uma floresta?
E uma cadeia alimentar
Sem um gafanhoto
Se há tantos insetos por aí?
A serpente comeu o fruto
Naja de África
Haja África
Para alimentar esse mundo
Para cultivar esse Éden
Quantos totens se talham por aí?
Tantos são os Deuses que se criam por aqui
Erguidos no altar
A imagem e semelhança e vice-versa
Esculpidos
Cupidos
De si para si
Homo sapiens
Santa paciência
Homologaram a razão
Mas não
A poesia
Vivida
A vida
Firma-se em antologias
O mito
O Egito
É de África
É nordeste
È deserto que se edifica em três lados iguais
Para tantos mortos
Os terrenos imortais
Preserva-se uma civilização
Bebe-se do delta
Oásis sertão
Osíris
Nenhuma morte em vão.
Terrivelmente atual
ResponderExcluir