segunda-feira, 30 de maio de 2011

SONETO (por assim intitular)

Uma dúzia de versos
Ainda faltam dois ossos
Contas silábicas
Alexandrinos, heróicos, Homero
Tragédias matemáticas, Pitagóricas
Contas silábicas
E a poesia-numérica
Formula matemática
no jogo da gramática.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Portas abertas à percepção

Luz, Sol, canções;
Paralelo entre tantas dimensões:
  Lá haviam flores;
  Síntese de amores,
  Dó, Ré em Mim.
(OM)

terça-feira, 24 de maio de 2011

POEMA MONTE PASCOAL


Mãe África
Tu és de África
Berço do mundo
Nômade
em tua morada
na terra que há de lhe dar
o que comer.

Artefatos do tesouro
Relíquias de carbono
Campos arqueológicos
Sítios de outono
Barganhas e escravidão.
Desceste das árvores
Houve guerras
Há de haver guerras
Haverá guerras
Há guerras.
Por estes tempos
Perde-se o verbo
Presenteia-se o passado
E o temporal
Prende-se veloz
Voraz
No vértice
No ventre
De teu seio
Nosso seio
Nutrido de raízes
Atônita ferocidade
Eterna
Caverna
Luz!
Luz!
Apegue-a
Luz
Apague-se
Há luz
Apague
A chama
Chamar
Clamar
Pelo teu cantar
Flechas
Atire-as
Flechas
Atire-as
Pedras
Pedregulhos
Entulhos
Fugir
Da cultura material
A vida flui
Organize os trópicos
Sem abacaxis
Sem os pingos nos is
O xis não
Não é a questão
Então!
Quem são eles?
Quem eles pensam que são?
Eles sabem quem são?
Samba-canção
Nasceu
Quem?
A canção?
Não!
Uma estrela
Chamada Terra
A qual
Um dia já era
Haja eras
perdida
tamanha admiração
virou explosão
big bang
cogumelos
e rosas sem tons
às avessas
sem rima
bum
atchim
poluição
sem som
a paz eterna
reinaria.
Quanto vale uma onça
Sem uma floresta?
E uma cadeia alimentar
Sem um gafanhoto
Se há tantos insetos por aí?
A serpente comeu o fruto
Naja de África
Haja África
Para alimentar esse mundo
Para cultivar esse Éden
Quantos totens se talham por aí?
Tantos são os Deuses que se criam por aqui
Erguidos no altar
A imagem e semelhança e vice-versa
Esculpidos
Cupidos
De si para si
Homo sapiens
Santa paciência
Homologaram a razão
Mas não
A poesia
Vivida
A vida
Firma-se em antologias
O mito
O Egito
É de África
É nordeste
È deserto que se edifica em três lados iguais
Para tantos mortos
Os terrenos imortais
Preserva-se uma civilização
Bebe-se do delta
Oásis                                                                                                                                                      sertão
Osíris
Nenhuma morte em vão.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Fábula do Maranhão

sob duras penas
o frango come o milho
a palha vira peteca
o frango vira sureca
cantando cócórócó

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Bukowski permite

pode-se falar de putas
e portifólios
e cavalos-marinho
Bukowski permite
um pore bukowskiano
e muito vinho
tocando
foda-se e você
e nada
a dizer:
como estão as flores
a garrafa vazia
um novo livro de poesia
amor e
licores e prostitutas
Bukowski permite
muito
corridas de cavalos
carros velozes
wiski na mente
e cisnes
leitores
atores
mal-feitores
e alados crocodilos
sem calcinhas e
Bukowski permite-me dizer:
foda-se a América
e viva
coisa
nenhuma