quarta-feira, 27 de abril de 2011

Portento

Palavras preenchem jornais
Figuras adornam revistas
Nada de mais, o mais está
Nas pipas que colorem o céu
Para brincar de amigo
Um amigo pula na água
Buscando a pipa que faz lembrar
Algo que seu pai não pode lhe dar
Francamente, parem de mostrar
Alarmar os males desse mundo
Pois em volta há de haver tons lindos
Sem roubos nos mistérios
Peixes fazem acrobacias
Cantam os galos alegres
Podemos nos distrair
A paulicéia cosmopolita
Abriga multidões num único berço
Sem ler o terço
Muito menos ver o noticiário
Voltamos às pipas
Empinadas pelos ventos tempestivos
Atrativo do carnaval nacional
Afinal, em festas e cores
Samba e ritual
Deixa-se a avenida celestina
Plena de colírios
Acalmando os delírios casuais.

sábado, 23 de abril de 2011

Teatro ao ar livre



Pássaros plantados em vasos
Onde crescem as violetas
Terras violáceas adubadas
Estrato virgem de terra do mato
Aqui o capim do aipo
Brota pelo piso de concreto
Damas de longos vestidos
Pequenas plumas de pássaros
O verão chama as andorinhas
Os insetos perdem a calmaria
A ordem não perde o direito
Fato atribuído pelo espírito natural
As violetas florescem
Os patos adormecem
Brota o sol no monte belo
Evapora o orvalho da pastagem
Corre o sol pela abóbada celeste
Alimenta-se com a fotossíntese o cipreste
Falta coragem para a chuva cair
Não é por falta de flores
Que a rotina não pode existir
(...)
Ainda há tempo para apanhar
O vento sul num campo
Colhendo o centeio seco
Bebendo um copo de néctar
Empinando pipas de vinho
Tinta não faltará
Para pintar o oceano
Na flor da idade
Bailarinos param na ponta dos pés
Olhando longe flutuando
Sob vontade e representação
O sentido a se perder

terça-feira, 19 de abril de 2011

A Ceia

Alcaparras ao sabor do vinho tinto
O mundo nunca acreditou na imagem
Comendo queijo com mato
Verde e aspargos com pimenta

Para temperar tantas flores
Alfaces e violetas tom de amora
As papilas, as pupilas, uma língua
Cheia de linguagens esta o céu

A lua em flagrante sorriso
No fundo de qualquer boca
Dilatado vermelho puro sabor
Sangue da sagrada ceia

Para dar aos deuses
Qualquer paladar mortal
Sabores que a sombra imortal
Perde com a queda da laranja

Mais um gole, menos um ponto
A sã saúde da sanidade
Desce degraus rumo ao horizonte
Doce por que te quero doce

Verde é céu, verde é relento
Verde por que te quero verde
Salgados no mar a gota da cachoeira
Sabores naturais do dia

sexta-feira, 15 de abril de 2011

LORCA


A cavalo o cotidiano marcha
Fora dos páreos a enchente o guia.

Sob um sol de azeitonas
Numa tarde de céu cor laranja.
Oliveiras sobranceiras.
Marcha a galopes de ginete
Para as águas azuis
Em um arroio qualquer vendaval.
Absolutamente indiferente
À terra longe a se perder.
Rumores de guerras
Rumores de trevas
Sensível como a aurora

O cotidiano que já era
Marcha a galope.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Versos por assim dizer



Os heróis não são Reis
Mil pessoas não choram
Estão todos ali
Com as mãos para o alto
Louvores de quem
Para quem os céus abrem alas
Qualquer grito se cala
Violinos tremem
O pé bate em compasso
O som esta no aço
Agarre o ar para ver

Gire o leque
O calor dispara
Um tiro de festim
É festa no espaço
Pegue, amare o traço
Esqueço do fim, o nó
Para chegar ao começo do mês
O que dizer de mim
Se há tantos por aí

Um e outro e outros tantos
Por tantos uma vela
Apega a luz
A chama da ideia
No fim do show morre a plateia
Nenhum ateu amou alguém
Nem o seu Deus
Salve-se
Se por ventura estiver salvo
Acertar o alvo certo
Tomar para sim o que há de ti

Quem jamais pode ver
Lagos e cores e músicas
Morreu a primavera
Éter das canções
Mortalha: tocaia de arma branca
Refrão que desfaz o mote
Faz cantar o verso
Remorso da oliveira
E do óleo que a fez beber
(...)

Sem ter dó nem sol
O som esta no aço
O verso
Na canção
Faz-se o próprio
Ponto final

sábado, 9 de abril de 2011

Em títulos por Hemingway


Sei por quem os sinos dobram:
Eles dobram por mim.
Nesse jardim do Éden,
O sol também se levante
Sobre as montanhas,
As armas não dão adeus
Em um adeus as armas
Os sinos cantam amém
Enquanto Paris se abre em festa
Os amores se acabam em guerras
Nesse jardim do Éden,
Contemplamos o silêncio
Como um velho que pertence ao mar.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Sexta-feira

Nas ruas motocicletas a mil
O trânsito queimando combustível
No alcanço das horas
Alcança-se a paz interior

A perna hiperativa perde o calor
Sem balançar, sem tremer, sem querer
Mais que querer é poder
Estar equilibrado com as ondas

Ondulantes são as quimeras
Às quais já era perdida
Na ansiedade que se acaba
Com o fim de tudo e início do que vier

Fechar os olhos distantes
O barulho do movimento
Estático, a todo ouvidos
Sem o contato com qualquer inferno mercantil

terça-feira, 5 de abril de 2011

Vento Leste

Lá onde pessoas carregam blocos
Concretos constroem cidades
Elefantes sonoros tocam suas trombas
Voam orelhas de alto falantes

Lá onde árvores possuem janelas
Os pescadores pregam sermões
Os barcos deslizam sobre a cera quente
À vista risca um castelo flutuante

Lá onde as borboletas giram moinhos de vento
O vento sopra depressa
Decolando de asas abertas
O vento gela a superfície rochosa

Lá onde corpos abanam nas chamas
Um ornitorrinco perde a hora
Balões se prendem nas nuvens
Marias fumaças se despem na densidade

Lá onde hiena é adjetivo
O palhaço perde a graça
Cavalos tropeçam na cruz da idade
Meditando nas ondas do mediterrâneo

Lá onde tudo é pouco de nada
Existe uma lua só para si
Dalí em diante foguetes espaciais gritam
 É leste onde a mente faz a curva