terça-feira, 8 de novembro de 2011

Viver


Não partirei aos 27
Por conta de uma overdose
Não sou nenhum astro do rock

Nem irei aos 44
Por conta de uma cirrose
Não sou dado a poesia

Talvez siga os planos
De Henry Haller
Aos 50

O importante
Tão quanto seja breve
Que a vida me leve.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

DramoPoesia





o mundo delirante.
Quando da primeira vez

(olhares e mãos)

tomados em assalto.
Atropelados assaz

por um trem .
Quando da primeira vez

em um cinema
a visão nunca mais.

Consistirá a mesma.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Pedagogia de vida


Mirar para todo o dia
João juntar as peças
com aquilo que houver
de mais desconexo.

Arejar o simples
com mínimo de exato
e fazer a gentileza
doar a parte que te cabe.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Prece

Ainda escreverei o dia feito cenouras, aquelas mesmas rochas sem intemperismo que então entram em nossas cabeças em forma de rolhas. E de súbito, nada de fingir a liberdade e anular suposto suicídio.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

lendo todos os detalhes
nas infinitas cenas de Bosch
vejo sem fim as centelhas do mundo
com suas miragens
e alaridos febris. como tal
afundo meus olhos na tela
e já, com a retina amarela
me perco nos abismos da perspectiva

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Sais de revolta (manifesto)

dia após dia perdendo
pontos de sanidade por tanto pensar.
a sociedade nos roubando
a graça
e nos tirando a juventude
despedaçando a flor
de nossa idade.
mas logo
num golpe bem articulado
os tirados
tornam-se tiranos. vamos acabar
com esse esquema,
o esquema, é, sim, vamos.
derrubaremos o esquema
com um novo esquema daremos cabo ao sistema
pixando suas urnas
com molotóv's de fedor,
pois sentimos pudor:
o falso moralismo
e toda matilha de corrupção.
o poder será
o primeiro a ser cercado,
nada mais restará (lhes garanto)
de qualquer paradigma até então organizado.
por fim
manteremos a palavra
elas terão peso.




quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Amanhã neomodernista *

antes do fim dos dias
o progresso irá vender
sorrisos e frascos de alegria.






*escrito em 1939

domingo, 21 de agosto de 2011

Ska & outras lembranças sonoras

Canteiros
          Fachadas folhudas
Sons veludosos
                       sons de nuvens
nos telhados úmidos
vem e vai de gatos gotas
                             embasadas de suor
em retratos
          reminiscências aflitas
o cabelo mascado
o olho roxo
o riso falso
e a noite
        a noite recorta
        o que o passado
                           trás de arrasto.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

UKIGUSA

A mais formosa
Obra de Arte
se projeta em um rolo
florido
nas Ervas Flutuantes
      Ozu deu vida
              a atmosfera altiva
                    para elevar nosso Espírito
quando este
  não quer se encontrar
              em forma concreta.
                    

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Conhaque literário

Todo sábado
ao acordar em um ponto qualquer,
sem gelo, prepare uma dose
de poemas beba um gole,
todos estaremos lá...
em um ponto qualquer.
Ausentes com Conhaque
brindaremos a poesia,
beberemos destes nectar's
unidos pelo mesmo ato.
Assim, a sós
será nosso sarau,
até podermos nos encontrar.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

A HORA DA ASTRALIZAÇÃO



Simplesmente um céu azul, celestialmente azul. Sem pessoas, apenas uma linha branca traça pontos imaginários. Algum avião por aí se foi. E no mais, simplesmente um puro céu azul, celestialmente azul. Talvez se encontre alguma fração matemática invisível. Em síntese, tudo se resume a um simples céu azul e, talvez cavalos do Zodíaco.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Complexo Minimalista

O ontem aconteceu como o hoje que passará. O hoje passará. O sol do lado oeste se põe. A lua do lado leste se expõe. O hoje rumo ao fim. O ontem aconteceu. Simples assim.

sábado, 18 de junho de 2011

à Manoel de Barros

eu tenho pelo vício
a desesperança.
Carrego desde criança
uma voz negativa
à esperança. Isso vem do jeito
de roer o ar nas noites frias
de minha infância.

domingo, 12 de junho de 2011

Solicitude*


É preciso orientar as notas musicais
E cuidar dos asilo das flores.
A criatura menos órfã do universo é a estrela
E a mais indiscreta, o homem.

O poeta guia a música.
A morte atrai o tempo,
O demônio atrai a guerra.

Tenho pena dos que vão nascer.



* Poema de Murilo Mendes

segunda-feira, 30 de maio de 2011

SONETO (por assim intitular)

Uma dúzia de versos
Ainda faltam dois ossos
Contas silábicas
Alexandrinos, heróicos, Homero
Tragédias matemáticas, Pitagóricas
Contas silábicas
E a poesia-numérica
Formula matemática
no jogo da gramática.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Portas abertas à percepção

Luz, Sol, canções;
Paralelo entre tantas dimensões:
  Lá haviam flores;
  Síntese de amores,
  Dó, Ré em Mim.
(OM)

terça-feira, 24 de maio de 2011

POEMA MONTE PASCOAL


Mãe África
Tu és de África
Berço do mundo
Nômade
em tua morada
na terra que há de lhe dar
o que comer.

Artefatos do tesouro
Relíquias de carbono
Campos arqueológicos
Sítios de outono
Barganhas e escravidão.
Desceste das árvores
Houve guerras
Há de haver guerras
Haverá guerras
Há guerras.
Por estes tempos
Perde-se o verbo
Presenteia-se o passado
E o temporal
Prende-se veloz
Voraz
No vértice
No ventre
De teu seio
Nosso seio
Nutrido de raízes
Atônita ferocidade
Eterna
Caverna
Luz!
Luz!
Apegue-a
Luz
Apague-se
Há luz
Apague
A chama
Chamar
Clamar
Pelo teu cantar
Flechas
Atire-as
Flechas
Atire-as
Pedras
Pedregulhos
Entulhos
Fugir
Da cultura material
A vida flui
Organize os trópicos
Sem abacaxis
Sem os pingos nos is
O xis não
Não é a questão
Então!
Quem são eles?
Quem eles pensam que são?
Eles sabem quem são?
Samba-canção
Nasceu
Quem?
A canção?
Não!
Uma estrela
Chamada Terra
A qual
Um dia já era
Haja eras
perdida
tamanha admiração
virou explosão
big bang
cogumelos
e rosas sem tons
às avessas
sem rima
bum
atchim
poluição
sem som
a paz eterna
reinaria.
Quanto vale uma onça
Sem uma floresta?
E uma cadeia alimentar
Sem um gafanhoto
Se há tantos insetos por aí?
A serpente comeu o fruto
Naja de África
Haja África
Para alimentar esse mundo
Para cultivar esse Éden
Quantos totens se talham por aí?
Tantos são os Deuses que se criam por aqui
Erguidos no altar
A imagem e semelhança e vice-versa
Esculpidos
Cupidos
De si para si
Homo sapiens
Santa paciência
Homologaram a razão
Mas não
A poesia
Vivida
A vida
Firma-se em antologias
O mito
O Egito
É de África
É nordeste
È deserto que se edifica em três lados iguais
Para tantos mortos
Os terrenos imortais
Preserva-se uma civilização
Bebe-se do delta
Oásis                                                                                                                                                      sertão
Osíris
Nenhuma morte em vão.